Talvez você também precise ser mais generosa consigo mesma

 Há momentos em que somos generosas com todo mundo, menos conosco.

Temos paciência com os filhos. Tentamos compreender o marido. Resolvemos problemas no trabalho. Cuidamos da casa. Administramos compromissos, contas, horários e necessidades que parecem nunca terminar.

E, sem perceber, vamos nos colocando no final da lista.

Nos últimos tempos, comecei a perceber que precisava cuidar mais de mim.

Não estou falando apenas de comprar alguma coisa, fazer as unhas ou tirar algumas horas de descanso. Estou falando de olhar com mais responsabilidade para o meu corpo, para a minha saúde e para a maneira como tenho me tratado.

Decidi voltar para a academia.

Também marquei uma consulta para fazer exames e entender como está a minha saúde.

Podem parecer decisões pequenas. Mas, para mim, representam algo maior:

estou aprendendo que não preciso chegar ao limite para me dar atenção.

Nem tudo precisa ser conquistado na força

Existe uma cobrança silenciosa que muitas mulheres carregam.

Precisamos produzir.

Precisamos dar conta.

Precisamos manter a casa funcionando, trabalhar, cuidar dos filhos, resolver os problemas e ainda encontrar disposição para começar tudo novamente no dia seguinte.

E quando não conseguimos?

A primeira reação muitas vezes é cobrar ainda mais de nós mesmas.

“Preciso ter mais disciplina.”

“Preciso acordar mais cedo.”

“Preciso me organizar melhor.”

“Preciso parar de reclamar.”

Talvez algumas dessas coisas sejam verdadeiras em determinados momentos.

Mas existe outra pergunta que quase nunca fazemos:

Será que eu também não preciso me tratar melhor?

Disciplina é importante.

Responsabilidade também.

Mas nenhuma delas exige que sejamos cruéis conosco.

Ser generosa consigo mesma não é passar a mão na própria cabeça

Essa talvez seja uma das coisas que estou aprendendo.

Ser generosa comigo não significa abandonar responsabilidades ou usar o cansaço como justificativa para tudo.

Às vezes, ser generosa comigo mesma significa justamente fazer aquilo que venho adiando.

Ir ao médico.

Fazer os exames.

Voltar a movimentar o corpo.

Dormir melhor.

Comer melhor.

Descansar quando for necessário.

Reconhecer que não estou bem.

Diminuir um pouco o ritmo.

Ou simplesmente admitir:

“Eu também preciso de cuidado.”

Autocuidado não é somente conforto.

Muitas vezes, é responsabilidade.

Talvez seja preciso parar para conseguir continuar

Existe uma diferença entre desistir e parar um pouco para se reorganizar.

Nem toda pausa significa fraqueza.

Às vezes estamos tentando resolver a falta de energia com mais esforço, a exaustão com mais cobrança e a sobrecarga com mais produtividade.

Mas existem momentos em que o mais sensato é observar.

Como está meu corpo?

Como tenho dormido?

Como tenho me alimentado?

Há quanto tempo não faço exames?

Quando foi a última vez que fiz alguma coisa pensando também no meu bem-estar?

Não podemos exigir indefinidamente de um corpo que não estamos cuidando.

Cuidar de mim também cuida daquilo que amo

Durante muito tempo, podemos enxergar o cuidado conosco como algo que concorre com nossas responsabilidades.

Ou cuido dos outros ou cuido de mim.

Ou trabalho ou descanso.

Ou resolvo o que precisa ser resolvido ou paro.

Mas talvez não precise ser assim.

Eu quero estar bem para viver aquilo que Deus colocou sob a minha responsabilidade.

Quero ter disposição para minha família.

Quero ter saúde para trabalhar.

Quero acompanhar o crescimento dos meus filhos.

Quero realizar projetos.

Quero servir.

Quero viver.

E para isso também preciso cuidar da mulher que está tentando sustentar tantas coisas.

Eu.

Um pouco mais de graça, um pouco menos de cobrança

Talvez você também esteja precisando disso.

Não necessariamente de férias, de uma grande mudança ou de abandonar tudo.

Talvez precise apenas começar a se incluir novamente na própria vida.

Marcar aquela consulta.

Voltar para aquela atividade física.

Dormir um pouco mais cedo.

Retomar algo que lhe fazia bem.

Pedir ajuda.

Ou parar de conversar consigo mesma de uma maneira que você jamais usaria com alguém que ama.

Podemos continuar buscando disciplina, constância e crescimento.

Mas podemos fazer isso sem nos maltratar durante o processo.

Estou aprendendo que ser uma mulher forte não significa ignorar os próprios limites.

E que talvez exista muita sabedoria em aprender a dizer:

“Eu ainda tenho responsabilidades. Ainda tenho coisas para resolver. Mas eu também sou alguém de quem preciso cuidar.”

Hoje, voltar para a academia e marcar meus exames são pequenos passos.

Não sei se farei tudo perfeitamente.

Provavelmente não.

Mas talvez cuidar de si não comece com uma transformação extraordinária.

Talvez comece simplesmente quando decidimos ser um pouco mais generosas com a mulher que encontramos todos os dias no espelho.Mulher Pragmática

Fé para o coração. Praticidade para a vida.



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