Sete anos de fartura e sete anos de escassez: a sabedoria de José para os tempos bons e ruins
“Ajunte ele toda a comida destes bons anos que vêm [...] e será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de fome.” — Gênesis 41:35-36
Existem épocas em que tudo parece fluir. O dinheiro entra, as oportunidades aparecem, os projetos avançam e temos a sensação de que aquele cenário continuará para sempre.
Mas também existem períodos de escassez. Portas que antes estavam abertas se fecham. O dinheiro fica mais curto. Os resultados diminuem. Aquilo que funcionava deixa de funcionar.
A história de José diante de Faraó nos ensina uma verdade extremamente prática: a mulher sábia não administra a vida pensando apenas no hoje. Ela aprende a reconhecer as estações e se prepara para o amanhã.
O sonho de Faraó
Em Gênesis 41, Faraó teve dois sonhos que ninguém conseguia interpretar.
No primeiro, sete vacas bonitas e gordas saíam do rio. Depois surgiam sete vacas magras, que devoravam as sete vacas gordas.
No segundo sonho, sete espigas cheias e bonitas eram engolidas por sete espigas secas.
José estava preso quando foi chamado para interpretar aqueles sonhos. E antes mesmo de explicar qualquer coisa, deixou algo claro:
“Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó.” (Gênesis 41:16)
José reconhecia de onde vinha sua sabedoria.
Deus então lhe permitiu compreender o significado: o Egito viveria sete anos de grande abundância, seguidos por sete anos de uma fome tão severa que a fartura anterior seria praticamente esquecida.
Mas José não entregou apenas uma interpretação.
Ele apresentou um plano.
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa história.
Fé também é saber administrar
José aconselhou Faraó a escolher alguém sábio e prudente para administrar o Egito.
Durante os sete anos de abundância, uma parte da produção deveria ser armazenada. Quando chegassem os anos de fome, haveria provisão suficiente para atravessar aquele período.
Perceba: Deus revelou o que aconteceria, mas isso não significava que o povo deveria simplesmente esperar.
A revelação exigia uma ação.
Havia algo que precisava ser feito durante a fartura para que eles sobrevivessem à escassez.
Isso nos ensina que confiar em Deus não significa viver sem planejamento.
Podemos orar e fazer orçamento.
Podemos confiar e economizar.
Podemos agradecer pelo crescimento de um negócio e, ao mesmo tempo, formar uma reserva.
Podemos celebrar uma fase boa sem aumentar imediatamente nosso padrão de vida.
Podemos pedir direção a Deus e ainda analisar números, organizar prioridades e tomar decisões difíceis.
Prudência não é falta de fé.
Muitas vezes, prudência é justamente uma forma de colocar em prática a sabedoria que Deus nos deu.
Nem tudo o que sobra precisa ser gasto
Talvez essa seja uma das grandes lições de Gênesis 41 para nossa vida financeira.
Quando havia abundância no Egito, José não pensou:
“Temos muito. Podemos consumir tudo.”
Ele pensou:
“Precisamos guardar.”
Vivemos em uma cultura que nos incentiva a transformar todo aumento de renda em aumento de consumo.
Ganhamos mais, gastamos mais.
Vendemos mais, assumimos mais despesas.
O negócio melhora, aumentamos a estrutura.
Recebemos um dinheiro inesperado e rapidamente encontramos onde gastá-lo.
José nos apresenta outra mentalidade:
os tempos de abundância também são tempos de preparação.
Nem toda sobra é dinheiro disponível.
Às vezes, a sobra de hoje é a provisão de amanhã.
Aprenda a reconhecer a estação em que você está
Existe também uma pergunta importante que essa passagem nos faz:
Em qual estação da minha vida estou?
Talvez você esteja vivendo seus “anos de fartura”.
Se for assim, agradeça. Aproveite. Mas também se prepare.
Quite dívidas. Faça reservas. Organize sua casa. Invista com sabedoria. Fortaleça seu negócio. Aprenda. Estruture processos. Não desperdice aquilo que está chegando às suas mãos.
Mas talvez você esteja atravessando seus “anos de escassez”.
Nesse caso, a mensagem também não é de desespero.
O mesmo Deus que mostrou a José que a escassez chegaria também mostrou como atravessá-la.
Há momentos em que precisamos reduzir, reorganizar, cortar excessos, usar aquilo que construímos anteriormente e administrar com muito mais atenção.
Escassez não é necessariamente o fim da história.
Pode ser uma estação que exige uma estratégia diferente.
José não controlava a estação. Mas sabia administrá-la.
Essa talvez seja minha parte preferida dessa história.
José não podia impedir os sete anos de fome.
Ele não podia controlar o clima.
Não podia determinar quanto tempo a crise duraria.
Mas podia decidir como o Egito se prepararia para ela.
E existe uma grande sabedoria nisso para nós.
Há coisas que não podemos controlar.
Não controlamos a economia, as decisões de outras pessoas, determinadas perdas, mudanças inesperadas ou todas as circunstâncias que chegam à nossa vida.
Mas podemos administrar aquilo que está em nossas mãos.
Podemos decidir como gastamos.
Como trabalhamos.
Como organizamos nossa casa.
Como conduzimos nosso negócio.
Como utilizamos nossos recursos.
Como reagimos às mudanças.
A maturidade começa quando paramos de gastar toda nossa energia tentando controlar aquilo que não depende de nós e começamos a administrar melhor aquilo que Deus colocou sob nossa responsabilidade.
A abundância também é um teste
Normalmente pensamos que somente a escassez testa nossa fé.
Mas a abundância também testa nosso caráter e nossa sabedoria.
É muito mais fácil falar sobre economia quando não temos dinheiro.
O verdadeiro desafio é lembrar da prudência quando há dinheiro disponível.
É fácil prometer que, quando ganharmos mais, iremos guardar.
Difícil é receber mais e não encontrar imediatamente novas necessidades.
Por isso, os sete anos de fartura foram tão importantes quanto os sete anos de fome.
Foi durante a abundância que o futuro do Egito foi decidido.
O que José fez nos anos bons determinou como o povo atravessaria os anos ruins.
E talvez exista algo que Deus esteja colocando em suas mãos hoje que não seja apenas para o seu presente.
Pode ser dinheiro.
Uma oportunidade.
Um conhecimento.
Um relacionamento.
Um negócio.
Uma habilidade.
Uma fase de tranquilidade.
Pergunte a si mesma:
Estou apenas consumindo aquilo que recebi ou também estou construindo alguma coisa com isso?
A mulher prudente pensa além do momento
Ser uma mulher pragmática não significa viver preocupada esperando que algo ruim aconteça.
Significa não viver de maneira inconsequente acreditando que amanhã será necessariamente igual a hoje.
Há tempo de colher.
Há tempo de guardar.
Há tempo de crescer.
Há tempo de reduzir.
Há tempo de avançar.
E há tempo de reorganizar.
A sabedoria está em reconhecer cada estação e agir de acordo com ela.
José conseguiu enxergar além da abundância que estava diante dos olhos.
Enquanto todos poderiam olhar para celeiros cheios e pensar somente no presente, ele estava construindo segurança para um futuro que ainda não havia chegado.
Talvez essa seja a reflexão que precisamos guardar:
Não desperdice os tempos bons.
Use-os para construir aquilo que sustentará você nos tempos difíceis.
E, se hoje você estiver vivendo um período de escassez, não pense apenas no que perdeu. Pergunte:
“Senhor, qual é a estratégia para esta estação?”
Porque o Deus que nos acompanha nos dias de abundância continua sendo Deus nos dias de escassez.
E sabedoria também é entender que fé e boa administração caminham juntas.
Para refletir
O que estou fazendo hoje com aquilo que Deus colocou nas minhas mãos? Estou apenas vivendo o presente ou também estou preparando o meu futuro?
Oração:
Senhor, dá-me a sabedoria de José. Ensina-me a reconhecer as estações da minha vida e a administrar com prudência aquilo que colocaste em minhas mãos. Que eu não desperdice a abundância, não me desespere na escassez e não tome decisões apenas olhando para o momento presente. Dá-me discernimento para guardar, coragem para agir e fé para confiar em Ti em todas as estações. Amém.

Comentários
Postar um comentário